Estava frio quando Claudio acordou. Se vestiu depressa para não se atrasar para o trabalho, estava havendo corte de pessoal. Como em um dia qualquer, ele ligou seu computador enquanto preparava seu café na máquina de expresso. Percebeu que algo estava errado quando o servidor negou sua conexão. Esse não é o meu dia - pensou. Precisava receber a confirmação de seu projeto de qualquer maneira. Após comer alguma coisa para enganar o estômago, ele tocou a campainha do vizinho. Parece que cinco e meia da manhã não é uma boa hora para tocar no apartamento ao lado, concluiu Claudio, depois de correr o prédio inteiro tentando despistar vizinho, um velho policial aposentado de uns oitenta anos que corria pelas escadas com grande vigor. Educação física nunca foi meu forte na escola, Claudio explicou a si mesmo.
Seu estado era deplorável. Suava como se fosse corredor de maratona, mesmo tendo corrido quatro jogos de escada.
Sua aparência acabou chamando a atenção de uma senhora que participava da campanha contra a pobreza. Vendo em Claudio um mendigo educado, se propôs a levá-lo a abertura de um jogo de futebol.
Sua canseira o igualava a um bêbado, concordou sem nem menos ouvir a proposta.
Chegou no estádio sendo empurrado por todos os lado, os gritos da torcida o deixaram mais tonto, bebeu um copo de água, se preparou, teria que improvisar o hino nacional. Foi novamente empurrado pelos guias para dentro do estádio com cobertura de todas as emissoras de televisão, quando a senhora se dirigia ao microfone, Claudio se adiantou e começou:
-Ouviram, do Ipiranga... Ouviram do ip... ouviram do ipiranda as mar...
A próxima coisa que se lembrava era de um cheiro de gramado. Os dias na UTI pareceram não desanimar ele. E com muita certeza de si, foi para o trabalho. Depois de dirigir por três quarteirões com um engarrafamento recorde, conseguiu chegar a sua mesa de digitação.
Uma movimentação estranha ao lado chamou sua atenção. Era seu chefe:
- Estava bom o jogo Claudio?
- Nada mau...- disse com voz de sono.
- Que ótimo. Ah, você está despedido.
Claudio olhou para o relógio: 8:01
Oh, vida chata- pensou guardando seus pertences de trabalho em uma caixa de sapato. Agora, se meu computador não funcionar.... EU ME MATO.
Pergunta cretina: Que que eu estou fazendo escrevendo às 11 horas da noite tendo q acordar cedo amanhã?!