O sol desaparecia por de trás dos montes longínquos, perfeito cenário para a maior festa do ano. O casamento de Cecília fora organizado, diziam boatos, para mais de mil pessoas, mesmo que todos negassem que tivessem sido convidados. Moça simpática, a bela Cecília. Feições calmas, profundos olhos verdes. Corpo bem desenhado envolto por vestes dignas de Afrodite, e que ela preenchia com a simplicidade de menina e presença de mulher.
A senhora ao piano endireita-se e começa a tocar a marcha nupcial. Pescoços viraram para acompanhar a noiva que havia chegado. O noivo se aprumou. Ela entrou na bela igreja, decorada com flores brancas e iluminada por muitas velas. Conforme andava seus sapatinhos ecoavam no chão de madeira lustrosa, e eu lembrava:
Primeiro passo, viagens; segundo passo, jantares; terceiro passo, anel de diamante e pedido de noivado; quarto passo, Cecília recusa... depois voltei à realidade, ela já está no altar construído com mármore branco e muito ouro nos detalhes. Assistir ao padre conduzir a cerimônia me fez sentir como se existisse algo escamoso dentro do meu estômago e de ímpeto levantei-me, suando frio, mão tremendo e dedo
“Você...!” Minhas pernas perderam força, quando quebrei o silêncio e as mil pessoas se viraram para me olhar. A voz sumiu. Senti a garganta seca, pois não consegui engolir nem respirar como se todos tirassem minha energia. Vi os bancos de madeira e o longo corredor tremerem, os sentidos começarem a embaralhar. O dedo baixou devagar enquanto os convidados voltavam, aos poucos, suas atenções para os noivos. Não poderia deixar essa gafe passar em branco, não neste casamento. Então completei:
“Você...sabe onde é o banheiro?”
Nenhum comentário:
Postar um comentário