06/11/2007

Velho inconspícuo

Euclides vivia no interior do estado. Ele era um capinador às antigas que já trabalhara como colocador de rolha em garrafa de refresco. Trajava uma jardineira desbotada e um chapéu de palha feito por sua mulher. Foi quando um dia ganhou uma viagem à cidade grande para passar as férias, e então, nossas histórias se cruzaram...

Eu entrei no saguão do hotel, no qual estava hospedado, e vi um senhor de idade e de aparência caipira à frente do elevador. Aparentemente ele não se conformava em apertar o botão uma vez, tanto que o apertava constante e ininterruptamente.

O elevador chegou e todos entraram, mas para nosso desespero o velho havia apertado todos os números e só depois de dez paradas cheguei ao meu destino, porém, disposto a ajudar expliquei o que o caipira deveria fazer ao chegar a seu quarto para se instalar. Desejando que ele acertasse e eu não o encontrasse mais.

Engano miserável. Quando subi ao quarto de meu colega para informar a cotação da bolsa, vi o senhor tentando por a porta a baixo. Fiquei assustado quando ele me informou que passou a noite tentando abrir a porta, e ficou indignado por ninguém atendê-lo quando bateu palmas e gritou.

Expliquei-lhe que o quarto estava vazio e que a porta tinha de ser aberta por uma chave para depois a pessoa ingressar em seus aposentos. Depois que descrevi a chave, ele falou:

“Ah, aquele quadradinho colorido? Estava me incomodando no bolso, então o joguei por aquela janela...” e apontou para o outro lado do corredor. Aquilo me soou como uma doença mental.

Eu saí correndo do hotel, porque vai que era contagioso...