O senhor Juca. Contador de grandes histórias, e estórias. Estatura baixa, meio “mirrado”, ossos frágeis, feições tranqüilas e simpáticas de um bom eloqüente e excepcional companhia para o lanche da tarde. Carregava um tanto a mais de rugas do que outras pessoas da mesma idade. Suas narrações afloravam de sua memória sem esforço e com tal facilidade as dramatizava aos ouvintes.
Era um sábado de manhã e Juca se despediu de seus visitantes. Virou-se para se servir de mais uma xícara de café quando a campainha da porta fez-se ouvir. A que foi prontamente aberta, porém ninguém a se receber. O processo se repetiu quatro vezes: toca a campainha, abre e ninguém a vista.
Num ímpeto de nervosismo, ele esmurra a porta e ela solta das dobradiças com um estrondo, voando pelo ar muito rápido, caindo com estrépito a cinqüenta metros de distância. O barulho deixou o velho pasmo, este olhou para suas mãos com uma mistura de excitação e medo que nunca havia vivenciado.
Pensou que seria bom buscar a porta para recolocá-la, então neste instante a porta mais uma vez alça vôo de seu repentino leito e pousa levemente em seu portal de origem. O entendimento brota de seu pensamento assim como a torta que pensou e foi materializada. O desconhecido inoportuno havia lhe confiado poderes. Suprimiu este pensamento como que para que ninguém ouvisse.
Suas criações e feitos inconseqüentes forçaram Juca ao exílio e ao controle incondicional de sua mente por meditação. Na época, disseram que havia morrido, mas depois foram soltos muitos histórias. Um em particular frisa bem suas condições e profetiza a elevação da alma pela meditação milenar do imortal Juca.
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