19/09/2007

Simples, ela, bela

“Sala de estar. Quatro pessoas. Uma mesa e várias discussões. A mais importante delas era sobre como resgatar o...”

pequeno sobrinho do dono das terras locais. Havia uma grande recompensa para quem encontrasse o garoto perdido.

Uma imagem que entrou pelo portal desviou a atenção dos irmãos. Não se trocou palavras. Uma figura muito alva, com suas belezas veladas por um leve vestido de fazenda fina e um véu de mesmo tecido. Agora, afastado da face deixando à mostra um rosto fino emoldurado por longos e lisos fios sedosos louro-prateados. Demonstrava uma tranqüilidade interna e clareza de espírito supremos que seriam tangíveis ao tato se lhe fosse concedida a honra de se aproximar de tal forma serena. Sensação confirmada pela pureza de seus profundos olhos verdes, que pareciam janelas para o mar cristalino de um paraíso.

Em meio a este ambiente pacífico, os irmãos se entreolharam com rostos frouxos. Neste momento, travaram-se batalhas silenciosas, invejosas. E como que de conclusão unânime para o método de resolução do impasse iniciou-se a verdadeira batalha. Instintos assassinos e técnicas de luta passadas por gerações na família foram usados durante a batalha, porém, naquela vez, foi usado contra a própria família.

Foi uma cena dantesca para a espectadora desconhecida. Um piscar de olhos revelou uma lágrima solitária escapando por sob as pálpebras. Os urros medievais provenientes da luta não foram capazes de abafar a força com que a voz da doce dama os fez parar. Quando afrontada pelos quatro, seu rosto foi tomado por rubor intenso. E se retirou, para nunca mais voltar.

A tristeza que se seguiu superou a crise financeira da família. Cada irmão levou para si a culpa da perda da bela companhia.

Sala de estar. Quatro pessoas mais uma vez à mesa. E, de repente, voltou-se a falar do menino perdido. Porque afinal de contas, os pais dele deviam estar preocupados...

11/09/2007

Enfim liberdade

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-ninguém vai entender o texto bem porque tem um otro texto que é o tema.-

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Primeiro dia que estive fora da casa de minha avó pude sentir a liberdade. O som da rua me aguçava os sentidos. A mistura dos barulhos transforma tudo em uma música ritmada, que parecia pulsar do coração de cada transeunte. Percebi o leque de oportunidades que se abria na minha frente. O céu azul, clima fresco com seus vinte e dois graus Celsius, as circunstâncias me transformavam num estrangeiro à vida.

Nas primeiras horas da manhã que já tinham o sol a banhar os campos com seus tímidos raios luminosos, comecei minha jornada. Fui ao aeroporto com bagagens a mão, e um tempo mais tarde já embarquei, como destino o Taiti. O paraíso das águas cor de esmeralda e do relaxamento total do corpo e da mente. Durante três dias fiquei sentado em uma cadeira à beira da praia.

As ilhas do pacífico perderam seu encanto após algumas festas noturnas e em um mês me mudei para o Havaí. As maravilhas se tornaram cotidiano e eu queria conhecer mais. Viajei pelo mundo inteiro procurando um lugar que me chamasse a atenção, mas já comecei a pensar na casa da minha avó.

Afastei esse pensamento para longe, porque eu não poderia estar pensando em voltar depois de todo esse tempo de desejo de liberdade. Os chás ingleses e os vinhos italianos já me irritavam, eu não podia nem ouvir uma palavra sobre a cerveja alemã. Tudo era regional e me lembrava as comidas brasileiras.

Voltei para casa de minha avó para encontrá-la feliz. Pude novamente me sentir em casa. Descobri-me escritor e vivo escrevendo a torto e a direito. Mas uma coisa é certa, ainda viajo ao Taiti para colher o rosal de amores que noutra época havia plantado.

08/09/2007

É...amor.

A filha de Luís era Isabela. Desde cedo fora garota forte, de corpo fino, porém incrivelmente resistente. Era boa aluna na pequena escola que estudava e nunca reclamava de seus afazeres diários. Ao seu espelho de destino, um paradoxo para a humanidade era Lucas. Vulgarmente chamado de “a terrível criança do apartamento 203”. Ele não ficava ciente do mundo a sua volta até que ele tivesse lucro em fazê-lo.

Todo dia, “o terrível” subia três andares com a esperança de acompanhar Cecília até a escola. Este era seu lucro em ir à escola. Ela era uma menina especial e Lucas já havia a descrito como o sonho de todos os homens. Deveras que cabelos compridos loiros a cair por suas costas, olhos de um verde quase branco, e corpo esbelto, não há de ser um mau sonho.

Certa manhã de sábado, dez anos depois, tempo nublado e com forte nevoeiro devido à poluição, percebia-se que o sol se mostrava de outra cor no horizonte. A janela ficara hermeticamente fechada durante muito tempo, mas naquele dia, Lucas voltou ao seu apartamento.

O paradoxo finalmente entrou pela garganta adentro e o fez engolir seco. Sim, Cecília permanecia bela, e talvez mais bela do que já fora, se isso era possível, mas outra mulher anuviava sua visão; feições delicadas e de perfeição como só provenientes do Olimpo poderiam possuir, sua presença por si só forçava ser vista. Ficou tonto, fechou o olho.

Um ano depois, Lucas estava na igreja esperando sua bela noiva, que um dia havia o feito esquecer sua antiga Cecília. Os convidados inquietos pelo pequeno atraso, já contado cada segundo pelas madrinhas. Quando o padre pronunciou suas palavras e perguntou a Lucas se aceitaria Isabela como sua esposa, ele bradou que sim. Naquele momento, que fosse somente naquele momento, ele era feliz para sempre