“Era uma casa sombria. Foi Grande o susto quando ouvi...” o distinto som da morte, suspiro gélido de mil almas que, por fim, era um cachorrinho. Bonito cachorro de pelagem café meio sujo pela poeira contida no aposento, mas ele uivou como um lobo a espera do ataque, a sede de sangue podia ser sentida devido ao ar tenso que tomou a casa, mas era apenas fome e ele adorou o sanduíche que eu trazia.
Desci pela estreita e tortuosa escadinha no fundo da cozinha que levava ao porão. As sombras engoliam qualquer sinal de normalidade daquele cômodo e então pude sentir a respiração da criatura, estava nervosa pelo ritmo. Gritos engasgados de choro me levaram a um armário do qual pulou uma moça tremendo muito de medo.
Tive que agir rápido ou logo seríamos envolvidos pela cólera da casa, protegi a senhorita com meu corpo. Luzes vermelhas se difundiam com as labaredas laranja e o calor passava pelo meu colete de proteção. Corri em direção à porta parando apenas para apanhar o cachorro que ainda uivava, dessa vez de medo.
Uma vez fora da casa, libertei de minha proteção a moça e fui ao centro de atendimento, eu precisava respirar melhor. Enquanto o paramédico acionava o tanque de oxigênio, pude observar a garota que havia salvado. Pálida, coberta de fuligem, seus cabelos lisos e negros pendiam suados sobre rosto, que era muito bonito mesmo naquela situação apavorante.
A vida dos bombeiros é difícil para todos os seus membros, uma pergunta insistente nos atinge todos os dias quando acordamos: “Será que tentando salvar uma vida hoje, voltarei com vida?”
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